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Fachada Ocidental da Estação Caminho de Ferro do Valado dos Frades!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Coração...produtos de utilidade!


Longe vão os tempos em que o sabão azul e branco fazia as "delícias" das donas de casa por ser praticamente o único "detergente" que para tudo servia em termos de limpeza, desde a roupa...à louça...etc.
Tinha somente um concorrente, o seu "primo" o sabão amarelo, imbatível no esfregar das tábuas que constituíam o soalho...para ficarem com uma tonalidade mais enriquecida.
Entretanto o Mundo não parou de girar e começaram a surgir outros mais válidos...melhor manuseio...etc
E aí surgiram alternativas como os produtos da fábrica Coração, abrindo um "leque" muito diversificado que permitia ter produtos específicos para trabalhos específicos.

Fábrica dos produtos Coração

http://garfadasonline.blogspot.pt


Hélio Matias



Do Milho à...Descamisada

Carregar milho no carro das vacas

O milho...sempre o milho!
Durante décadas, o milho foi quase a razão de existir desta comunidade rural - Valado dos Frades.
Por esta razão havia moinhos de água no Rio do Abegão e do Calixto...havia pelo menos um moinho de vento do tio Arcanjo e...inúmeras eiras...arribanas...espigueiros e...palheirões.
Toda esta realidade estava ligada a esta "indústria" que no fim era a cultura e a recolha /armazenamento dos grãos de milho.
Os campos, extensos campos de regadio, localizados no fundo da "antiga lagoa da Pederneira", constituíam uma paisagem monocolor!
Os Valadenses conseguiam aí encontrar a razão da sua existência!
A 1ª imagem, que será da década 1960, mostra ainda uma actividade ligada ao milho...o fazer uma carrada para seguir para a eira.
Hoje o Valado deixou de ser uma terra agrícola, tomando a opção industrial(?!).
No momento presente...falhou, e agora!
A cultura do milho foi a maior riqueza ou...quase a única do Valado.

Descamisada numa eira

Para além de muito trabalho desde a sementeira até à recolha do milho no espigueiro, era na eira que talvez se processasse o mais interessante e o que desenvolvia um "folclore" de alegria...convivência...camaradagem.
E tudo se iniciava com a descamisada, uma imagem muito interessante e esclarecedora, onde vamos encontrar um grupo de amigos e familiares, sentados em redor do monte de espigas, que paulatinamente lhes iam retirando as camisas  sendo depois atiradas para os poceiros, que uma vez cheios eram levados para o espigueiro.
Durante este trabalho, realizado geralmente à noite, era sempre acompanhado de jocosidade e brincadeira, a que não faltava a alegria de encontrar uma espiga vermelha que obrigava o rapaz ou rapariga a dar um beijo a todos (ou homens ou mulheres) que se sentavam na roda.
De vez em quando havia o beberricar de um copo de abafado, um vinho doce.
No fim, ainda talvez houvesse um tempo para um bailarico na eira.
O Cata-vento das ideias continua a mostrar a "estória" que muitos não viveram...mas que aqui podem revisitar!

Hélio Matias

terça-feira, 28 de abril de 2015

Nazaré...Relíquia!

Frente da factura

Não sei se a imagem apresentada será ou não uma raridade...talvez!
Álvaro Laborinho como fotografo auto-didacta, recriou, fotografou e perpetuou assim a vida nazarena em muitos...muitos aspectos!
Possuía uma loja de lanifícios em plena Praça Sousa Oliveira, e a imagem de hoje representa uma factura dessa sua loja.
Nada de especial se repararmos só no verso da factura, simplesmente Álvaro Laborinho "brindou-nos" com uma imagem da praça Sousa Oliveira em pleno mercado...na frente da referida factura!
Comparemos com os inestésicos papelotes agora "vomitados" por uma "impessoal" maquineta!...não é possível qualquer semelhança!
Se pensarmos que estaremos na década de 1930/1940, confirma-se que o bom gosto...não tem idade!

Verso da factura

Hélio Matias

domingo, 26 de abril de 2015

Sabonete LUX

1960 - 2015.
Mais de 50 anos, e no entanto ainda hoje somos confrontados com o sabonete LUX.
A imagem é repescada da revista Crónica Feminina de 1960.
Por vezes há "coisas" que atravessam o tempo sem haver uma explicação para tal, ou...haverá?!
Há pelo menos uma...a qualidade!

Hélio Matias

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Nazaré...TrípticoTurístico


Este é um panfleto turístico que datará da década de 1950, desdobrável em 3 páginas. 
Estamos a falar de há 60 anos...os meios e as técnicas eram praticamente inexistentes, mas...as ideias e a maneira como deviam ser expostas, denunciam já um gosto e cuidados que devemos registar.
Não há ainda a cor, mas essa...está na própria Nazaré!









                                                                                                                                                   
                                                             Hélio Matias                                                                       

terça-feira, 21 de abril de 2015

Cortejo Ofertas Hospital N. S. da Nazaré

Burro com um cartaz e carregado com a oferta

Valadenses com abóboras, levadas à cabeça durante 7 Kms,  já no largo do Hospital,

Estamos no início da década de 50, e o Valado ainda é uma terra fundamentalmente agrícola, onde as culturas que desde sempre aqui se cultivaram...o milho, as abóboras e as hortícolas...predominam.
É um povo que vive no limiar das necessidades quotidianas, embora não haja pessoas a pedir de porta em porta como se verifica bem perto de nós.
Os homens esperam todas as manhãs por um agricultor que lhes providencie mais um dia de trabalho...é uma incerteza nem sempre ultrapassada!
No entanto entre esta comunidade assim rapidamente caracterizada, vincula-se um espírito de solidariedade inquebrantável.
A prova é por exemplo a realização de Peditórios, Quermesses e Cortejos de Ofertas sempre extremamente participados...ainda agora!
A imagem que mostro hoje é mais uma do Cortejo de Ofertas em prol do Hospital de N. S. da Nazaré, para o qual ouso afirmar que ninguém ficou indiferente e TODOS participaram!
Só assim se compreende a mobilização maciça e a presença de tanta gente...carros de vacas...burros...camionetas...bicicletas carregados, e pessoas individualmente transportando as suas dádivas, que iam até à simples galinha, meia dúzia de ovos, uma abóbora, etc.
Este Cortejo que se estendeu a todo o Concelho da Nazaré, teve um vencedor em valor das dádivas...Valado dos Frades, suplantando as outras freguesias onde se incluía a Nazaré...na época já com bastante implantação turística!
A Solidariedade não se avalia pelo estatuto...e o Valado disso fez prova!

Carneiro ornamentado, oferecido pelo dono dum talho
Hélio Matias

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Terra da Abóbora...é o Valado


Abóboras cultivadas ainda hoje no Valado


Aboboral hoje no Valado


Oferta de abóbora ao S. Sebastião, nosso padroeiro

Desde quando?
Certamente desde sempre...o Valado é um campo fértil, onde o cultivo das abóboras tem sido uma constante.
Por via de as condições climáticas e capacidade dos solos a isso conduzirem, mas também pela grande utilização que lhes é dada, para alimentação dos porcos.
Numa comunidade rural a subsistência é a preocupação primordial, e claro, a obtenção  da carne...leia-se porco!
A produção era grande e os exemplares muitas vezes de espantar. Tudo isto levou a que a abóbora "tomasse" um lugar tão privilegiado que começou por se "confundir" com o nome da própria aldeia.
Daí a ter sido "endeusada" foi um pequeno passo, e o melhor meio foi através da música!
Esta canção, a que foi dado o título de Marcha do Valado, foi escrita por Víctor Pais Silvestre, década 1930.
O rancho do Valado, a que foi posto o nome de Rancho das Aboborinhas, foi convidado pela direcção dos Bombeiros de Alcobaça, para as comemorações do seu aniversário.
Foi entusiástica a recepção que os Alcobacenses fizeram, e o rancho em fila indiana, uma de cada lado da rua, elas com as aboborinhas à cabeça, eles com o barrete ao ombro e camisa de escocês, ao som dum sexteto de músicos do Valado, abriu com esta Marcha do Valado, sendo entusiàsticamente aclamado das janelas apinhadas.
Chegados ao estrado em frente à Câmara, o rancho subiu  a este e daí saudou o povo. 
Os elementos aqui apresentados, foram escritos e estão assinados pelo próprio Vítor Pais Silvestre.
É uma prova de grande bairrismo...que aliás inúmeras vezes manifestou.



Hélio Matias 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Ladrões...no Valado

No dia 9 de Novembro de 1946, o jornal Comarca de Alcobaça, noticiava:
- Os gatunos entraram por meio de arrombamento na abegoaria do Sr. José Leal Monteiro, de onde levaram uma burra e um carneiro no valor de 2.200$00 (cerca de 11 €).
Os larápios deixaram a junta das vacas.
Sempre houve ladrões...talvez não houvesse tantos, e os de agora...não se contentam com uma burra e um carneiro! 

Hélio Matias






ESPECTACULAR CONSTITUIÇÃO da República de Uzupis

Mapa da localização de Uzupis

A República de Uzupis, um subúrbio de Vílnius, autoproclamou-se independente em 1998 - é um micro-estado, com um presidente, um bispo e uma bandeira para cada estação do ano!
A sua Constituição foi escrita numa noite de Verão em 1998, pelos actuais Presidente da República e Ministro dos Negócios Estrangeiros - aquele apaixonado por cães e este por gatos, ninguém sabendo qual deles foi o autor dos diversos artigos!
Eis alguns desses artigos:
- Um cão tem o direito de ser um cão.
- Todos têm o direito de não ter direitos.
- Todos têm o direito de amar e cuidar de um gato.
- Todos têm o direito de caminhar lentamente.
- Todos têm o direito de cuidar de um cão até que um deles morra.
- Todos têm o direito a ter fé.
- Todos têm o direito de viver nas margens do rio Vilna e o rio Vilna tem o direito de correr por entre  todos eles.
- Todos têm o direito de ser amados, mas não obrigatoriamente.
- Todos têm o direito de ser felizes.
- Todos têm o direito de serem infelizes.
- Todos têm o direito de ser amados, mas não necessariamente.
- Todos têm o direito de amar.
- Todos podem partilhar o que possuem, mas ninguém pode partilhar o que não possui.
- Todos têm o direito de ser independentes.
- Todos têm o direito a ter dúvidas, mas isso não é uma obrigação.
- Todos têm o direito de compreender tudo, e todos têm o direito de nada compreender.
- Todos têm o direito de celebrar ou não o seu aniversário.
- Todos têm o direito de morrer, mas essa não é uma obrigação.



in Público

Hélio Matias

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mistério da Mariquita-de-perna-clara



Finalmente estará desvendado o "segredo" desta pequena ave com 12 gramas.
Há muitos mistérios que a Natureza nos reserva, mas aos poucos iremos...desvendá-los!

Mariquita-de-perna-clara voa três dias sobre o mar sem parar!

Há 50 anos que os cientistas tentavam descobrir a rota migratória de uma ave de apenas 12 gramas, que no Outono voa das florestas da América do Norte para a América do Sul.
A mariquita-de-perna-clara (Setophaga striata) encontra-se nas florestas boreais da América do Norte entre o final da Primavera e o início do Outono. Durante muito tempo, os observadores de aves viam-na desaparecer em direcção ao mar, na costa Nordeste da América do Norte, já no Outono.
O seu rasto era perdido no mar. Mas todas as Primaveras, a pequena ave insectívora voltava para as florestas do Canadá e dos Estados Unidos para se reproduzir.
Graças a minúsculos geolocalizadores, desvendaram finalmente o mistério.
Sem paragens, sem descanso, a mariquita-de-perna-clara levanta voo no Outono, na costa Nordeste dos Estados Unidos e Leste do Canadá, bate as asas por cima do Atlântico e só volta a ver terra passados três dias, pousando na ilha de Espanhola ou em Porto Rico, nas Caraíbas. Desta forma, completa de uma só vez os cerca de 2500 quilómetros que separam as duas costas, terminando a primeira etapa da rota em direcção ao seu lar de Inverno, que fica nas florestas do Norte da América do Sul.
É uma viagem impressionante para uma ave com apenas 12 gramas.
“Este é um dos voos mais longos sem paragens e por cima de água de uma ave canora alguma vez registado, e confirma finalmente o que durante muito tempo se acreditava ser uma das maiores proezas migratórias do planeta.”
No mar, quando havia tempestades, estas aves eram vistas a pousar em navios, ou observadas em ilhas, como nos Açores
Entre Maio e Agosto de 2013, os investigadores equiparam 37 indivíduos desta espécie, de duas regiões diferentes do Canadá e de uma dos Estados Unidos, com um pequeno geolocalizador de meio grama.
Era necessário esperar que algumas destas aves voltassem à América do Norte, no ano seguinte, ao habitat onde tinham passado a temporada estival do ano anterior, para recolher os aparelhos. “Cinco dos 37 geolocalizadores foram recuperados em 2014”.
Quatro fizeram uma viagem de 2270 a 2770 quilómetros, entre 49 e 73 horas, até às ilhas nas Caraíbas a que corresponde uma velocidade média de 38,5 a 48,2 quilómetros por hora. Nas Caraíbas, as aves descansaram cerca de uma semana e depois fizeram o resto do trajecto até à América do Sul.
Continua a haver mistérios. Um deles é a capacidade fisiológica da ave para voar durante tantas horas. Sabe-se que antes de iniciar a viagem, a mariquita-de-perna-clara se alimenta intensamente, engordando cerca de seis gramas!




revista Biology Letters


                                                                            Hélio Matias