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Fachada Ocidental da Estação Caminho de Ferro do Valado dos Frades!

sábado, 1 de abril de 2017

Almocreve


Quanto não devemos estar gratos à habilidade e interesse do Sr. Joaquim Ferreira dos Santos?!, de facto a ele se deve o perpetuar desta imagem do almocreve nas ruas do Valado.
Estes "embriões" dos agora modernos "centros comerciais e supermercados", vendiam de tudo um pouco, ou melhor...transportavam o que eram as primeiras e imediatas necessidades duma população dependente daquilo que à porta lhe faziam chegar, neste caso o almocreve.
Na imagem a representação é fidedigna...à esquerda uma típica Valadense à espera de vez para ser aviada...depois um idoso apoiado num pau, usando um barrete e calçando tamancos espera também para ser aviado de azeite ou petróleo...ao lado direito uma outra mulher fazendo da abada (avental dobrado com as pontas metidas no cós da cintura e assim originando uma bolsa) o local de transporte e onde traz as mãos...por fim o almocreve, o vendedor, aviando numa garrafa, o azeite ou petróleo.
Como figura central e fundamental o burro ou mula, meio de transporte que apresenta a grande capacidade de conseguir levar até muito longe as mercadorias a transaccionar...equilibradas e dispostas de modo engenhoso que conciliava a exposição e a facilidade de acesso.
O cão, é uma presença obrigatória na paisagem duma aldeia rural.
O almocreve já não existe hoje, mas não terá ele servido para incrementar muitas das opções comerciais de agora?
Os almocreves eram pessoas que conduziam animais de carga e/ou mercadorias de uma terra para outra em Portugal, durante a Idade Média e até tempos bem recentes - meados do século XX.
Numa época de comunicações limitadas, eram essenciais como agentes de comunicação intercomunitária (além de serem indispensáveis ao abastecimento de bens às vilas e cidades). De entre as rotas de abastecimento mais importantes, destaque para as que os levavam a transportar peixe do litoral para o interior e, no sentido inverso...cereais. Não os confundir com mercadores.
Perdemos o almocreve...fica aqui a sua memória!




Hélio Matias