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Fachada Ocidental da Estação Caminho de Ferro do Valado dos Frades!

domingo, 9 de abril de 2017

Matracas na Semana Santa


A tarde de 5ª feira Santa era no Valado um tempo de grande recolhimento e religiosidade.
Começava por ninguém ir trabalhar no campo, e os homens iam à pesca de enguias nos rios e abertas que sulcam os campos...era também a preparação das refeições que nestes últimos dias da Quaresma impunham a abstinência da carne.
Mas a par deste pequeno pormenor profano, havia outros de maior sentido religioso comum e frequente a muitos lugares, onde sobressaía o toque das matracas.
No tempo da Quaresma, doutro tempo, os padres impunham muitas restrições e obrigações que todos cumpriam. Não se cantava senão na Igreja, não se tocava qualquer instrumento, realejo, concertina, pandeireta e outros, não havia baile, tapavam-se as cruzes...era um tempo de grande recolhimento, interioridade e religiosidade.
Na tarde de Quinta-Feira Santa já ninguém ia trabalhar para o campo e na Sexta-Feira Santa tapavam-se todas as imagens com panos roxos, as janelas com panos pretos e os sinos não tocavam. Em vez do seu toque, para chamar os Cristãos para as cerimónias religiosas recorria-se às matracas.
O sino "emudecia" e os seus toques eram substituídos a partir das Avés-Marias (cerca do pôr do Sol), pelo som das matracas....uma tábua, onde estavam suspensas umas ferragens, que quando era agitada em movimentos rítmicos faziam um barulho característico - treco treco treco.
Esta operação era feita por um adulto seguido dum grupo de crianças, para quem isto era um acontecimento completamente novo, percorrendo as principais ruas da aldeia.
Isto repetia-se até ao toque do sino a anunciar a ALELUIA e se proclamar "Jesus Ressuscitou Alegrai-vos".
Religiosidade herdada de tempos imemoriais...impossíveis hoje de repetir!



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Hélio Matias