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Fachada Ocidental da Estação Caminho de Ferro do Valado dos Frades!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Carros de Praça - Alcobaça


Os Carros de Praça, são os antecessores daquilo que hoje chamamos Taxis.
É evidente que retirando as grandes cidades como Lisboa, Porto e pouco mais, não haveria muitas localidades que dispusessem deste serviço.
Alcobaça é de facto uma excepção.
Em 1919, a empresa "Campos & Campos" anunciava os automóveis da marca "Berliet" e em 1923 reconstruía a "Garagem Campos", cujos proprietários mantinham uma extensa frota de Carros de Praça na Rua Frei António Brandão.
É interessante a frota toda alinhada numa perspectiva de Alcobaça...não muito distinta da que hoje conhecemos.
...Só faltam...os Carros de Praça!


A mesma imagem, com o enquadramento do Mosteiro


Sampaio, Jorge Pereira de e Pereira, Luís Peres - 100 Anos de Comércio em Alcobaça 
Sampaio, Jorge Pereira de e Pereira, Luís Peres - Alcobaça um século em imagens

Hélio Matias

terça-feira, 23 de maio de 2017

O burro no Valado

Burro com ceirões e...os filhos lá dentro

O burro sempre foi de grande utilidade na vida rural do Valado, mas eram mais as mulheres que no quotidiano dele se "serviam"!
Era fundamentalmente um transporte utilizado desde o levar a roupa para lavar no rio...à utilização dos ceirões que levavam os filhos dentro quando se tinha de deslocar para o campo...até por exemplo, suportar um apetrecho que servia de transporte a lenha ou aguilhota, para vender nos mercados.
...E era sempre a mulher que estava "indigitada" para estas actividades!

Burro com as cangarras...próprias para levar lenha

Hélio Matias

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Inteligência dum governante


Qual a sua opinião?
Parece-me que o Maquiavel já tinha alguma "leitura" sobre o assunto!...

Hélio Matias

Túmulos D. Pedro e D. Inês

O Valado tem por séculos uma ligação umbilical a Alcobaça, melhor será dizer que desde sempre dela dependeu...até na sua génese.
De facto, não fora os Monges de Cister terem participado activamente no desbravar das terras...terem implantado uma granja que evoluiu para uma "escola agrícola" e...o Valado teria surgido muito mais tarde.
Mas desde que se fixaram no Mosteiro definiram que os "termos" deste se estendiam até ao Rio dos Moinhos...englobando pois esta aldeia rural.
Historicamente, foi sempre em Alcobaça que os Valadenses venderam os seus produtos agrícolas...compraram as alfaias e tudo o que para a agricultura precisavam...foi na feira de gado de Alcobaça que compravam e vendiam os animais...etc, etc.
Razões que me parecem sobejar para este blog poder dedicar alguma atenção a uma terra com a qual tanto temos a ver!
E começo precisamente por um ícone intemporal..."o amor de Pedro e Inês"!
Os túmulos são de estilo gótico e feitos em calcário.
A localização primitiva era lado a lado, estando hoje colocados no transcepto da Igreja, mas frente a frente, de tal modo a que quando ressuscitarem se levantem e vejam um ao outro.
A "maior" prova de amor!
No túmulo de D. Inês os temas representados são: nos frontais, a Infância e a Paixão de Cristo e, nos faciais, o Calvário e o Juízo Final. Salienta-se um dos faciais, que representa o Juízo Final...pensa-se que D. Pedro, com a representação desta cena dramática da religião cristã, quis mostrar a todos (inclusive a seu pai e aos assassinos) que ele e Inês tinham um lugar no Paraíso e que quem os fizera sofrer tanto podia ter a certeza que iria entrar pela bocarra de Levitão representada no canto inferior direito do facial. Em baixo estão representados os mortos que se levantam das suas sepulturas para serem julgados.
No túmulo de D. Pedro nas faces estão representadas: nos frontais, a Infância e o Martírio de S. Bartolomeu e, nos faciais, a Roda da Vida e a da Fortuna e ainda a Boa Morte de D. Pedro.
A Roda da Vida possui 12 edículas com os momentos da vida amorosa e trágica de D. Pedro e de D. Inês.
Está pois justificada esta união Valado-Alcobaça...até ao fim do mundo!

Hélio Matias



domingo, 21 de maio de 2017

Nazarenos vistos por Abílio Mattos e Silva


Abílio de Mattos Silva - conhecido simplesmente por Abílio - nasceu no Sardoal, em 1908. Fixou-se na Nazaré em 1931, onde permaneceu até 1931.
Datam deste período as obras mais antigas que se lhe conhecem, quando a pintura começa a manifestar-se de forma mais assídua. A isto não será alheio o seu convívio com os pintores portugueses e estrangeiros que, tal como Abílio, sentiam profunda sedução pela Nazaré.
Apesar de, a partir de 1936, passar a residir em Lisboa, Abílio continua a pintar os seus fascínios: a Nazaré, naturalmente, e Óbidos, cuja paisagem desenha e pinta durante longos anos.
Em Lisboa, participa em várias exposições colectivas e colabora na revista “Presença” (na época dirigida por José Régio) e noutras publicações. Como grafista, executa numerosos trabalhos para o Estado. Mas é com a peça de teatro “Tá-Mar”, de Alfredo Cortez, que inicia uma longa e notável carreira como cenógrafo e figurinista, com intensa produção no domínio do bailado, da ópera e da dramaturgia. Foi director de cena do Teatro de S. Carlos, onde levou a efeito algumas das suas mais importantes realizações. Foi também ilustrador e designer, tendo sido condecorado pelo trabalho desenvolvido em exposições organizadas no estrangeiro.
Saavedra Machado, antigo director do Museu da Nazaré (instituição a que Abílio doou parte da sua obra), escreveu sobre a paixão do artista pela Nazaré, que retratou em pinturas e desenhos inigualáveis. «Quem demore o seu olhar sobre os óleos, os guaches e os desenhos de Abílio, vê o concreto da paisagem, do casario, dos barcos, dos pescadores em terra e no mar, os seus dramas, as gentes nazarenas pousadas no velho burgo do litoral […]. Seguro de uma técnica que porta com brilho, Abílio foi um artista de raiz com algo de lirismo, que dá à sua obra grande originalidade, deixando transparecer a maneira como a Nazaré teve neste artista um eterno enamorado […]».
A sua passagem pela Nazaré e a particularidade da cultura local impressionaram o autor e inspiraram grande parte da sua obra, evidenciando-se um estudo sobre o trajo tradicional local publicado em 1970. Assumiu um papel activo na defesa do património local, integrando a secção para a criação de um museu, da Liga dos Amigos da Nazaré. Abílio de Mattos e Silva, a 4 de Dezembro de 1955, numa reunião efectuada no Casino da Nazaré, profere uma palestra que terá contribuído para o desenvolvimento desta ideia: “Ainda estamos a tempo de tudo salvar, de tudo remediar (…) Sinto que o primeiro passo – passo para salvar a nossa Nazaré – será a criação de um Museu – um Museu de costumes da Nazaré em que todos procuremos uma lição, onde as crianças devem aprender como numa aula obrigatória, para que amanhã possam ensinar – e sigam os ensinamentos adquiridos”. Nesta oportunidade, apresentou um esboço e um plano para a estruturação do futuro museu.
Em 1986, dando cumprimento à vontade de seu marido, Maria José Salavisa doa ao Museu Dr. Joaquim Manso um importante conjunto de pinturas de temática nazarena.
Há medida que o tempo decorre, parece-nos que o "movimento" que se esperou contribuísse para um grande enriquecimento cultural da Nazaré...definhou!
A Nazaré possui desde décadas dum potencial e capacidade invejáveis, mas no aspecto cultural lembra o atleta que "ficou nas covas"!
Esperemos que seja ...uma "nuvem passageira"!






Gonçalves, Alda Sales Machado - A Nazaré no Bilhete Postal Ilustrado (1ª Metade do século XX)
http://www.cm-sardoal.pt/

Hélio Matias

sábado, 20 de maio de 2017

Pense nisto...vale a reflexão



Hélio Matias

Mulher do Valado com vestido Domingueiro


Esta é uma Valadense em dia especial, imagem que é dos primeiros 50 anos do século passado.
A mulher do Valado desde sempre repartiu a vida  entre a "administração" da sua casa e...uma preciosa ajuda nos trabalhos do campo.
Claro que os mais violentos estavam destinados ao homem, mas desde ir ao rio lavar "cargos" de roupa...ajudar nas sachas...ir ao pinhal e colaborar na apanha duma carrada de aguilhota...pouco tempo lhe sobraria para o seu dia a dia doméstico, mas tinha de o fazer!
Quando chegava ao Domingo para ir à missa, dia de festa ou ter de se deslocar a Alcobaça ou Nazaré, aprimorava o seu trajar e os pés "viam" finalmente umas sandálias ou tamancos.
A imagem de hoje recorda precisamente esta mulher.
É um tempo...desaparecido!

Hélio Matias


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Brinquedos de sempre










Penso não valer a pena um texto para revivermos as memórias que da meninice trouxemos...certamente nem todos!
Mas vale a revisitação da quadra dessa idade, e que dum  ou outro modo...todos passámos por ela!

http://blogillustratus.blogspot.pt.
www.pinterest.com.

Hélio Matias 

Lavadeiras no rio do Nasce Água


Outra imagem, há dezenas, de lavadeiras no nosso rio do Nasce Água.
Porquê do Nasce Água?
Era aqui que estavam as nascentes donde brotava a água para abastecer todo o concelho da Nazaré, e a remanescente escorria num regato, de águas cristalinas em leito de areias brancas...estamos num pinhal...e nas margens cresciam verdejantes e "mimosos" agriões.
A habilidade de um proprietário recriou um pequeno tanque por onde essa água se espraiava...as lavadeiras da Nazaré e Valado vinham aqui lavar a roupa.
Poucos locais teriam água tão própria!
A imagem dum movimento entusiasmante globaliza quase tudo quanto ali se passava, crianças a chapinhar na água, mulheres a lavar, outras já com a trouxa à cabeça para "abalar" e se repararmos bem, "identificamos" a tal água límpida, porque era corrente!
Toda esta "vida" desapareceu, a água ao domicilio será substituída pela que vem do Castelo de Bode e as mulheres ficaram em casa à espera que o programa da sua Whirlpool - Balay - AEG...termine.
Estamos mais "modernos", mais "urbanizados" e...menos atentos à história que passou sem deixar rasto!

Hélio Matias

Podar e empar



A vinha sempre representou um papel não primordial no Valado, embora se produzissem algumas pipas de vinho de mediana qualidade, e alguns agricultores (poucos), possuíssem um lagar próprio.
De qualquer modo havia a necessidade de cuidar e bem das cepas, com trabalhos que se estendiam ao longo do ano.
A imagem mostra-nos um grupo de homens no difícil, por exigir um profundo conhecimento, da poda e empa.
Podar necessitava de saber quais os gomos florais que se transformariam em flor e fruto, daí ser preciso ter cuidados redobrados para não cortar o que era necessário.
Empar, que é a actividade melhor ilustrada hoje, exigia que se soubesse "armar" as videiras recorrendo a canas e atando  os ramos com ráfia ou junco seco - que se vê agarrado à cintura dos homens - para melhor dispor ao Sol e assim termos uma floração, frutificação e maturação melhoradas. Por outro lado trazia também inúmeras vantagens na vindima, já que os cachos ficavam mais acessíveis.
Por vezes trabalhos que nos parecem menores...têm uma importância enorme!

Hélio Matias